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“Não troco meu “Oxente” pelo “ok” de ninguém” – Ariano Suassuna

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Djaci Brasileiro sofre denúnicias sobre Projeto de criação de Peixe no Vale do Piancó


Toneladas de peixes mortos e incontáveis irregularidadesno projeto que a Prefeitura de Itaporanga desenvolve emIgaracy com equipamentos do Estado, mas o prefeito Djacirebate denúncias e diz que oposição está equivocada.

Quando era secretário de Desenvolvimento Humano do Estado, o atual prefeito de Itaporanga, Djaci Brasileiro (PSDB), adquiriu equipamentos para a instalação de um projeto de produção e beneficiamento de peixes em três municípios regionais, entre eles Itaporanga e Piancó, mas o único beneficiado foi Igaracy e de forma irregular, conforme o professor José Martins Neto, diretor do 6º Núcleo da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano, e o vereador Herculano Pereira (PTB), que há quatro meses investiga o chamado Escândalo da Tilápia, uma alusão ao nome do projeto e a todas as suas supostas ilegalidades.

Conforme o parlamentar mirim de Itaporanga, o projeto Tilápia apresenta inúmeras irregularidades, a começar pelo local escolhido para sua implantação: um açude privado do município de Igaracy. Depois vem o uso indevido de equipamentos do Estado, a falta de acompanhamento técnico na criação do peixe, a ausência de documentação que garanta a existência legal da atividade e algo ainda mais grave: recursos da Prefeitura de Itaporanga estão sendo investidos em outra unidade municipal, ou seja, em território igaraciense.

O vereador comenta cada uma das supostas irregularidades: primeiro, “mesmo com tantos açudes públicos disponíveis para se implantar o projeto em Itaporanga, Município que está custeando a atividade, o prefeito foi desenvolvêlo em um açude particular de Igaracy; depois, como não há documento que legalize o projeto, Djaci não poderia fazer uso dos equipamentos do Estado (180 tanques-rede, 110 toneladas de ração para peixe, máquina de filetagem, câmaras frias e outros de menor valor)”.

E o vereador segue, afirmando que “nos últimos meses morreram mais de trinta toneladas de peixe por falta de cuidados especiais (espaço impróprio e manuseio inadequado), provocando um grande dano ambiental e prejuízo aos cofres públicos, e o que eu considero ainda mais absurdo é a Prefeitura de Itaporanga estar gastando com um projeto que, além de irregular, está funcionando em outro município”.

Herculano denuncia que, na tentativa de legalizar a atividade piscicultora, o prefeito Djaci encaminhou à Câmara Municipal, no começo do ano, um projeto no valor de 140 mil reais para o desenvolvimento da produção e comercialização do peixe.

A matéria foi aprovada pelo legislativo de Itaporanga. “Nós, vereadores, só aprovamos isso porque imaginávamos que Itaporanga seria beneficiada e deveria ter sido, mas só depois descobriu-se que o projeto estava funcionando em um açude de um amigo do prefeito no município de Igaracy com equipamentos do governo estadual e verba da Prefeitura de Itaporanga”, enfatiza o vereador, ao informar que a Prefeitura itapooranguense já gastou pelo menos 12 mil reais com o projeto desenvolvido em outro território. O vereador está preparando um dossiê e deverá levá-lo ao conhecimento do Ministério Público e da população.

Djaci rebate denúncias

Procurado pela reportagem da Folha para responder as denúncias, o prefeito de Itaporanga, Djaci Brasileiro, disse que tudo não passa de um equívoco da oposição, a quem classifica como mal informada.

Conforme Djaci, o projeto foi elaborado pela Secretaria de Desenvolvimento Humano quando ele ocupava a pasta e implantado corretamente.

“Foram três municípios beneficiados, como determinava o projeto: açudes Corrente, em Itaporanga; Pitombeira, em Piancó; e Salitre, em Igaracy. Mas, a princípio, só foi implantado em Igaracy porque o açude de lá reunia todas as condições para receber os tanques-rede, que devem ficar a três metros de profundidade”, comenta o prefeito, ao explicar que o projeto não foi implantado inicialmente em Itaporanga porque o único açude na época que reunia melhores condições era o Cachoeira, e este não poderia receber o projeto porque suas águas são destinadas ao abastecimento humano, “então levamos o benefício para o Corrente, e mesmo lá houve problema para o funcionamento do projeto: o que não ocorreria se fosse hoje porque agora nós temos o açude de Nesson Paulo”.

Sobre a mortandade de peixe, o prefeito afirma que a causa não foi a falta de assistência técnica, mas um processo natural. “Em função da água nova e das enchentes ocorreram mortes de peixes, mas foram menos de 5%, quando a média nos projetos de todo o país chega a 20%”, diz Djaci Brasileiro, ao informar que já devolveu todo equipamento ao Estado “e eu não sei porque eles ainda não mandaram buscar”

O prefeito confirma que a Prefeitura itaporanguense está investindo no projeto do sítio Salitre, município de Igaracy, mas esclarece que Itaporanga é a única beneficiada: “Nós estamos apenas usando o açude, mas todo o benefício vem para Itaporanga: é aqui onde o peixe será distribuído para o reforço da alimentação escolar e para os programas de segurança alimentar”, enfatiza Djaci, ao destacar que vai manter o projeto com recursos de Itaporanga e, inclusive, já comprou 180 tanques-rede para substituir o equipamento do Estado.

“O projeto é muito bonito e produtivo, e em pouco tempo nosso município vai estar colhendo os frutos, que são os peixes, tão importantes para alimentação e para matar a fome das famílias necessitadas e reforçar a merenda das escolas de Itaporanga”, completa.

Folha do Vale / itaporanga.net

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