

Então é Natal. Tempo de paz e harmonia. Certo? Errado. Na política da
Paraíba, é tempo de confusão. A reforma do Regimento Interno, a
acusação de golpe, a exoneração de aliados e a entrega de cargos dos
deputados do PEN formam uma seqüência típica de um filme de guerra. Cujo
fim não está nem um pouco próximo.
Quem conhece um pouco do estilo do governador Ricardo Coutinho
(PSB) sabe que o papel dos “bombeiros” neste instante é inútil. Ricardo
costuma responder mísseis com armas químicas, e assim progressivamente. O
problema é que o Ricardo da Assembleia também é “arrochado”.
O que sugere uma guerra contundente, entre dois que não abrem.
Sobreviverá, então, não quem bate com mais força. Mas quem aguentará
apanhar mais. Essa é a análise que cada lado deve fazer. A quem essa
relação prejudica mais.
Os deputados perderam seus cargos. Vão ter gente chorando em suas
portas. Mas estão sob o guarda chuva de Ricardo Marcelo. O governo é que
coloca em risco sua estabilidade política, especialmente num ano que
parecia clarear o céu para se gozar dos resultados de obras e ações
iniciadas nos primeiros dois anos de gestão.
Perder deputados governistas, como Branco Mendes, Edmilson Soares e
João Gonçalves, definitivamente, não é algo a que se comemorar. Ora, o
governo estava precisando era aumentar e fidelizar mais deputados. Não
perdê-los. O saldo, neste sentido, é muito ruim.
Pior do que a redução do quórum para se votar parecer do TCE sobre
as contas do governo é a redução da bancada. Porque com a bancada
mínima, o quórum pode ser até de 35 deputados que, mesmo assim, trará
ameaças a estabilidade governamental.
Ao contrário, quando se tem um grupo forte de deputados nas mãos,
pode-se diminuir o quórum pra um que não há risco de derrotas na
Assembleia. É claro que esse jogo expõe a pobreza da relação política no
país. Até o ato de entregar os cargos para poder achar o governo ruim a
partir de então é uma prova disso. Enquanto os cargos estão garantidos
os defeitos não existem.
De toda forma, Ricardo Marcelo conseguiu esta semana matar dois
coelhos, digo perus, com uma só cajadada. Reduziu o quórum pra votar
contas do governo. E reduziu as contas do governo. Está no lucro. É
aguardar os outros movimentos pra saber se se mantém na vantagem.
Especialmente quando a discussão chegar no Judiciário, que se presume
responsável pelo controle da legalidade.
Luís Tôrres
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