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“Não troco meu “Oxente” pelo “ok” de ninguém” – Ariano Suassuna

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Morre um dos personagens da história de Aguiar, entrevistado pela Folha no final do ano passado

Martinho Batista Guedes atuava na Prefeitura desde que ela foi criada. Ele faleceu na tarde desta quinta-feira


Por Redação da Folha – Ex-vereador, professor durante muitos anos e o mais antigo servidor da Prefeitura de Aguiar, com 50 anos de serviço público e braço direito de vários prefeitos aguiaenses, do primeiro gestor aos últimos, Martinho Batista Guedes faleceu na tarde desta quinta-feira, 19, em um hospital de Campina Grande, onde estava internado há alguns dias acometido por graves problemas de saúde.

Conhecedor profundo da história política e social de Aguiar, seu Marinho era um homem admirável e moderno, apesar da idade avançada: um dos poucos septuagenários do país a dominar o computador, mas duas de suas características mais interessantes eram o carisma e o conhecimento. Seu sepultamento está programado para a manhã desta sexta-feira, 20.

Marinho Guedes é tio do atua prefeito Tintin. Apesar da família está de luto, o gestor informou que não há mais possibilidade de cancelamento da festa de João Pedro programada para a noite desta sexta e sábado, ou seja, a festa vai acontecer em decorrência da força de contratos e empenho de recursos para o evento.

No final do ano passado, seu Martinho concedeu entrevista à Folha (www.folhadovali.com.br), quando falou de sua trajetória de vida e da vida do seu município. Vejam a matéria na íntegra:

O mais antigo servidor público do Vale é também a história viva da terra aguiaense


Martinho presta serviço ao município desde seu primeiro prefeito, mas evoluiu com o tempo e é hoje um dos poucos septuagenários da Paraíba a habitar o mundo do computador

Sousa Neto/Folha do Vale (30/11/2011) – Aos 74 anos de vida e mais de meio século de serviço público, Martinho Batista Guedes continua ocupando uma sala da Prefeitura de Aguiar, onde se sentou pela primeira vez 48 anos atrás, e nunca mais saiu. Está ali desde o primeiro prefeito, Aristides Alves de Sousa, a quem serviu no setor de contabilidade, mas sua importância para a gestão municipal foi além de cálculos e contas.

Martinho é uma testemunha ocular da história da política e do poder em Aguiar nos últimos 50 anos, e mais do que testemunha: foi um agente importante nos bastidores dos governos de todo esse período. Serviu a todos os prefeitos; acompanhou, passo a passo, a chegada e a saída de cada um deles; viveu os momentos mais áureos e os mais difíceis da gestão municipal, onde exerceu muitos e importantes papéis na vida administrava e pública aguiaense: foi ele, por exemplo, que criou a Lei Orgânica do Município. E também deu sua contribuição ao município como professor e vereador, duas funções que, igualmente, exerceu com competência.

Sempre norteado pelo bom senso, foi um importante conselheiro, deu caminho a muitos gestores e evitou que tantos outros se perdessem pela embriaguez do poder. “Entrou um prefeito aqui, logo no começo do município, que me pediu para queimar todos os documentos assinados pelo seu antecessor: queria tirar completamente seu inimigo político da história, mas eu disse que não poderia fazer isso porque a Prefeitura era que seria prejudicada, e ele teve que entender”, contou Martinho durante contato com a Folha (www.folhadovali.com.br).

Mas os costumes políticos tornaram-se um pouco mais civilizados em função da própria evolução do tempo e do modelo de gestão pública, mas Marinho também cresceu com os avanços tecnológicos: mais admirável do que sua lucidez e consciência crítica, é a capacidade de adaptar à modernidade: talvez seja o único ou um dos poucos homens de 74 anos que mexa com computador e internet, embora sua visão já esteja muito desgastada, impossibilitando-o para muitas atividades.

No entanto, o que ele conhece bem mesmo é sua terra. Para Martinho, os quatro acontecimentos mais importantes dos últimos 50 anos para o desenvolvimento do município, que comemora festivamente de 17 a 22 de dezembro exatamente meio século de emancipação política, foram a chegada da luz elétrica entre 1966 e 67; o abastecimento d’água urbano em 72; o telefone, no começo da década de 80; e agora o asfaltamento da principal via aguiaense, obra ainda em execução.

Martinho, hoje aposentado pelo estado, onde iniciou suas atividades como servidor público antes mesmo da Prefeitura, é uma fonte inesgotável da história política, cultural e social de Aguiar. Narra em detalhes, por exemplo, a passagem de Lampião pelo município, e conta, minuciosamente, a invasão da cidade pela tropa do coronel Zé Pereira, durante a revolução de 1930. Foto (www.folhadovali.com.br): Martinho é da geração da velha máquina de escrever, mas adaptou-se muito bem ao computador.

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